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•   13/07/2026

Sebastião Salgado e a Segurança do Trabalho: quando uma fotografia revela mais do que um relatório

A maioria das pessoas conhece Sebastião Salgado como um dos maiores fotógrafos da história. Mas quem trabalha com Saúde e Segurança do Trabalho pode enxergar algo além de sua arte.

Pode enxergar riscos.

Em suas imagens estão presentes quedas, soterramentos, exposição à poeira, calor extremo, jornadas exaustivas, trabalho informal, agentes químicos e condições que hoje seriam classificadas como inaceitáveis sob qualquer sistema moderno de gestão de riscos.

Talvez nenhum exemplo seja mais marcante do que Serra Pelada.

As fotografias feitas por Salgado na década de 1980 mostram milhares de homens escalando encostas de lama, carregando cargas extremamente pesadas, sem sistemas de proteção, sem barreiras físicas e sem qualquer estrutura organizada de prevenção. O que para muitos era apenas uma imagem histórica do garimpo brasileiro, para um profissional de SST é um retrato de riscos ocupacionais em praticamente todas as suas formas.

Mas a importância de sua obra vai além da identificação dos perigos.

Salgado tinha uma capacidade rara de transformar algo invisível em algo impossível de ignorar. Ao remover as cores de suas fotografias, ele direcionava a atenção para aquilo que realmente importava: os rostos, o desgaste físico, o ambiente, a fadiga e a relação entre o trabalhador e o risco.

Essa talvez seja uma das maiores missões da Segurança do Trabalho.

Nem sempre o risco é percebido de forma imediata. Muitas exposições ocupacionais se tornam invisíveis pela rotina. O trabalhador se acostuma. A liderança se acostuma. A organização se acostuma. E aquilo que deveria gerar preocupação passa a parecer normal.

As fotografias de Sebastião Salgado fazem exatamente o contrário.

Elas interrompem a normalização.

Ao olhar suas imagens, percebemos o que acontece quando não existem barreiras, gestão, planejamento ou cultura de segurança. E entendemos por que normas, procedimentos, treinamentos e controles foram desenvolvidos ao longo das décadas.

Sua trajetória também oferece uma reflexão importante sobre saúde mental.

Durante o desenvolvimento do projeto Êxodos, Salgado passou anos documentando fome, deslocamentos forçados, guerras, violência e sofrimento humano. O impacto emocional acumulado foi tão intenso que ele precisou interromper suas atividades para cuidar da própria saúde.

A história mostra que nem sempre o adoecimento está ligado apenas ao esforço físico. A sobrecarga emocional, a exposição contínua ao sofrimento e a pressão constante também podem ultrapassar a capacidade humana de recuperação.

Por isso, sua obra dialoga não apenas com riscos físicos, químicos ou ergonômicos, mas também com os riscos psicossociais que hoje ocupam espaço crescente nas discussões sobre saúde e segurança.

No fim, Sebastião Salgado não fotografou apenas trabalhadores.

Ele fotografou a relação entre o ser humano e o trabalho.

E talvez seja exatamente por isso que suas imagens continuam tão atuais. Elas nos lembram que, por trás de toda análise de risco, de toda norma e de todo procedimento, existe uma pessoa que precisa voltar para casa em segurança.

Se você quiser entender por que a obra de Sebastião Salgado pode ser vista como uma verdadeira aula sobre riscos ocupacionais, cultura de segurança e saúde mental, assista ao episódio completo do Bom Dia com Segurança, que inspirou este artigo.

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